Para começar a contar a história dessa simpática empresa, precisamos voltar mais ainda no tempo. Vamos ao ano de 1935.

Foto: Reprodução da internet

Com o final da II Guerra, a Aeronáutica, ciente da necessidade de uma ligação entre a sua base com o continente, conseguiu convencer o Governo Federal a construir uma ponte. Esta, partiria do Porto de Mariangu em Ramos, passando pelas Ilhas do Raimundo e de Santa Rosa, terminando próximo ao Saco de Cantagalo, após a Praia das Flecheiras.

Construção da ponte. Foto: Reprodução

Em 28 de maio de 1935, o Governo Federal através do Decreto 5482, concedia ao engenheiro George Fraz Pawella, a autorização para a construção de uma ponte ligando a Ilha ao continente, bem como o privilégio para a sua exploração. No entanto, várias concorrências e projetos já tinham sido apresentados, sem nenhum resultado prático.

Avenida Brigadeiro Trompowski (Ponte Velha) nos dias atuais. Foto: Reprodução da Internet

No entanto o traçado final acabou sendo aquele que utilizaria duas pontes: uma ligando a Ilha do Fundão ao continente e outra entre a Ilha do Fundão e a Ponta do Galeão. A atual “Ponte Velha”, batizada de Avenida Brigadeiro Trompowski, foi inaugurada em 31 de janeiro de 1949, contando na ocasião apenas com a pista de entrada, em regime de mão dupla.

Gravura de Ônibus ‘Detefon’ da Viação Continente-Ilha – A. Said (1949).
Reprodução do site RioÔnibusAntigos

A partir dessa ligação, duas empresas, a Viação Continente-Ilha Ltda. e a Empresa Municipal de Ônibus S. A. já realizavam serviços regulares de ônibus entre a Ilha e o Continente.

Entretanto, o crescente desenvolvimento da Ilha do Governador exigia a ampliação do serviço de transportes para o Continente, pelo que as duas empresas concessionárias supracitadas, pelos seus responsáveis com o conhecimento das autoridades municipais, resolveram concordar com a incorporação de uma empresa única — a Transportes Paranapuan S. A., usando a antiga denominação indígena da Ilha do Governador.

Ônibus REO ‘Gilda’ da CMO.
Foto: Reprodução da Internet

Como relatado na ATA de Incorporação da Transportes Paranapuan S/A: “Os fundadores obrigam-se a adquirir acervo da Viação Continente-Ilha Ltda„ e os direitos da concessão “Ilha do Governador” outorgada à Emprêsa Municipal de Ônibus S. A.; as importâncias despendidas ou a despender serão as permitidas pela Lei das Sociedades Anônimas na forma do art. 129, alíneas “d” — “e” mediante autorização expressa de cada subscritor no ato da subscrição” .

Imprensa Popular, 17/05/1951
Ao observar a ATA, nota-se que a Transportes Paranapuan, tinha como proprietários, os mesmos da Empresa Municipal de Ônibus (EMO) e provavelmente os mesmos da Continente-Ilha.

Embora tenha sido fundada em 1949, a Transportes Paranapuan S/A só foi às ruas nos meados dos anos 50. O fato se deu devido às péssimas condições das ruas e avenidas da Ilha do Governador, visto que a empresa havia comprado veículos novos e zero quilômetro. A empresa não colocaria os carros em circulação enquanto não houvesses ruas asfaltadas e adequadas para isso.

Chassis Scania chegando para a Paranapuan em 1954 Foto: Reprodução do site RioÔnibusAntigos

Isso mostra que naquele período o poder público não estava preparado para o grande aumento da população e desenvolvimento da área construída e urbanizada, resultando na atual deficiência nos transportes e habitação.

No final de 1950 a Transportes Paranapuan S/A, de propriedade dos irmãos Romeu e Adolfo Cerante utilizou durante alguns anos a antiga garagem dos ônibus do Sr. Emygdio (proprietário da EMO), na Praia do Galeão, nº 104. O abastecimento dos veículos era feito nesta garagem durante a viagem regular, na maioria das vezes com os ônibus lotados de passageiros.

Ônibus Scania Vabis, em 1952. Foto: Reprodução do Site RioÔnibusAntigos

Os ônibus, pintados na cor creme, eram todos chassi Scania Vabis, da década de 40, com carrocerias Grassi. Para dar a impressão de que dispunha de uma frota considerável de veículos, a empresa os numerou somente com números pares, e assim mesmo salteando alguns, por exemplo, do número 60, pulava para 74. Havia 3 Aclo na frota, o 28, o 30 e o 32.

Inicialmente a empresas operou as seguintes linhas:

6 – Praça XV de Novembro x Freguesia (Bananal);
*Esta linha operava com as seções:
 Freguesia – Galeão 
 Freguesia – IAPETC 
 IAPETC – Praça XV 

7 – Praça Mauá x Ribeira
8 – Praça Mauá x Freguesia (Bananal)

Ônibus Aclo-Grassi – 1953. Foto: Reprodução da Internet


Diário da Noite, 05/09/1955

Aumentando sua área de operação e buscando novos horizontes, a Paranapuan inaugurou em 1955 a linha 200 – Castelo x Marechal Hermes com a passagem a CR$ 8,00 (oito cruzeiros).

Devido a distância de sua sede, a empresa alugava espaço na antiga garagem Posto Auto Diesel para guardar os ônibus do primeiro horário, sendo essa adquirida em 1957 pela Viação Auto Diesel e mais tarde repassada para a Via Rio, na Pavuna.

Foi provavelmente este o início dos transportes coletivos na Auto Diesel, visto que o local onde os ônibus da PAN foram guardados era a garagem Posto Auto Diesel Ltda., nome da primeira razão social da Auto Diesel, que posteriormente assumiu a operação da linha 200, extinguindo-a em 1956/7.
Ainda em 1957, a empresa adquiriu o modelo Papa-filas, inaugurando então a sua nova linha 208 – Praça XV x Bancários, atendendo Guarabu, Cacuia e Cocotá. Esse tipo de ônibus compunha-se de um cavalo-mecânico, no caso Scania Vabis, tracionando um reboque “Fruehalf Trailer, Semi-Trailer” com carroceria Grassi, tendo capacidade para transportar 200 passageiros de cada vez.

Papa-filas Grassi, 1957. Foto: Reprodução da Internet


Em 1959, já haviam muitas reclamações dos serviços prestados por essa linha e petições de retirada de circulação dos papa-filas. A dificuldade de manobras em grande parte da Ilha foram as maiores reclamações. Com isso os papa-filas da 208 foram substituídos por convencionais Volvo/Carbrasa.

Acidente com um ônibus da Pan. Última Hora, 17/12/1959

Os substitutos também não trouxeram a solução, devido a decadência da frota e falta de pontualidade da linha, em 1959 ela foi entregue à Viação Ideal que começou a operá-la em 1960.

Em 1959 é marcado o fim da linha PAN 6. Após um acidente em dezembro com um veículo da linha 206 Castelo x Bananal batido em um poste. Como as duas linhas possuíam trajeto comum, apenas a 206 se manteve, sendo transformada m 328 em 1963. As linhas PAN 7 e 8 também foram extintas e a 208 teve seu trajeto alterado para suprir as duas.
Foto: Reprodução da Internet

Foto: Reprodução da Interne

Nos anos 60, grandes mudanças vieram para empresa. Além da incorporação  de novas linhas, a empresa renumerou as antigas e inaugurou a sua nova garagem na Estrada do Galeão, nº 178.

A linha 202 Castelo x Zumbi foi criada em 1960 e em 1961 ela adquire da Estrela do Norte a linha S-26 Praça Saez Peña x Cocotá, renumerando mais tarde para 634.
Arriscando um novo território, a empresa operou em 1963 a linha 492 Praça Serzedelo Correia x Zumbi, ligando a Ilha do Governador à Copacabana, na Zona Sul. Sua concessão não deu resultado e acabou sendo suspensa. Em 1964 é criada a linha 910, fazendo a ligação entre a Freguesia (Bananal) e a Vila da Penha, sendo mais tarde esticada até Madureira.

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Na década de 70, a Paranapuan já operava nos serviços “Frescões”, hoje chamados de executivos. Em 1978 ela operava as linhas S14, de acordo com as subdivisões concedidas pela então, Secretaria Municipal de Transportes.

Castelo x Bananal
Aeroporto Internacional x Santos Dumont
Castelo x Bancários
Castelo x Cocotá
Aeroporto Internacional x São Conrado
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Em julho de 1984, são criadas linhas de integração com o Metrô. Dentre essas linhas operadas pela CTC, na ligação com a Ilha do Governador foram criadas as linhas M92 Maria da Graça x Bancários e M93 Maria da Graça x Cocotá.

Nos anos 90 essas linhas são repassadas para a Viação Ideal e Transportes Paranapuan respectivamente e tiveram seu ponto alterado de Maria da Graça para o Castelo.

Os anos 2000 chegam e a Paranapuan começa a sofrer problemas financeiros, nas ruas, o envelhecimento da frota começa a ser notório.

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Em 2010 uma grande mudança no sistema de transportes da Cidade do Rio de Janeiro estabelece a criação de quatro consórcios e a reorganização das linhas por setor de operação. A Transportes Paranapuan passou então a integrar o Consórcio Internorte, que corresponde à Àrea 3, que representa a Zona Norte da cidade, excluídos os bairros de Cascadura e Madureira e a região da Grande Tijuca.

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Com a entrada da empresa no novo sistema, a Transportes Paranapuan sofre uma nova organização numérica em suas linhas e recebe uma nova identidade na frota, alterando também o seu registo 10000 para B10000.

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Em 2013 a empresa foi multada pela Secretaria Municipal de Transportes.

A multa no valor de R$ 117.883,55 foi decorrente à tragédia com um ônibus da linha 328 Castelo x Bananal que matou sete pessoas e deixou outras onze feridas após a queda de um viaduto na Avenida Brigadeiro Trompowsky no acesso à Avenida Brasil.

Um passageiro teria discutido com o motorista e entrado em luta corporal. Sem controle, o veículo despenca do viaduto e cai em uma das pistas da Avenida Brasil.

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Com a inauguração do Corredor Transcarioca em 2014 – na época exclusivo aos veículos articulados do BRT – , a Transportes Paranapuan entrou no sistema com o modelo Caio Millennium BRT, Ônibus com alta capacidade de atendimento, para mais de 130 passageiros cada veículo, e itens de acessibilidade e segurança.

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O modelo encarroçado pela Induscar Caio possui comprimento total de 18.600 mm, capacidade para transportar 49 passageiros sentados e 84 em pé. Têm rampa móvel para acessibilidade; sistema multiplex, computador de bordo, poltrona do motorista pneumática, facilitando a dirigibilidade; ar condicionado e poltronas dos passageiros totalmente estofadas, além de duas portas pantográficas no lado direito e quatro portas envolventes no nível do piso, do lado esquerdo.

Foto: Reprodução

Em março de 2015, a linha 910 Bananal x Madureira havia se tornado simplesmente uma linha alimentadora do BRT no Fundão, deixando de passar por Bonsucesso, Ramos, Olaria, Penha Circular, Vila da Penha, Vista Alegre e Irajá. Neste mesmo ano, a mesma foi extinta,  pelo fato de fazer plena concorrência com o BRT Transcarioca.

Foto: Reprodução da Internet

No lugar dela entraram  duas linhas:

910A Bananal x Fundão
912A Caracol de Ramos x Vaz Lobo

Além da 910, a linha 915 que fazia o trajeto de Bonsucesso até o Aeroporto do Galeão também foi extinta, dando lugar a 915A Bonsucesso x Caracol de Ramos.
No final do ano de 2016 a linha 910 voltou a circular fora da Ilha, cujo trajeto continua quase o mesmo. A única diferença é que o ponto final da linha não é mais em Madureira, mas em Vaz Lobo, por determinação da Secretaria de Transportes. Atualmente ela conseguiu alcançar o Largo do Bicão em Irajá. Com isso. houve a extinção da linha 912A.

Foto: Reprodução da Internet

Como a situação financeira da empresa ainda continuava ruim, em julho de 2015 a empresa sofreu uma breve intervenção pela SMTR. as suas linhas foram operadas em POOL por empresas integrantes do Consórcio Internorte. As empresas Viação Ideal, Viação Pavunense e Viação Vila Real operaram as linhas durante a intervenção.

Após o fim da intervenção, a empresa que já vinha sofrendo dificuldades financeiras teve quase 50% de sua frota lacrada e impedida de operar pela SMTR.

Foto: Divulgação
Foto: Reprodução da Internet

A empresa responsável por atender 50% da população da Ilha do Governador criou um plano de reestruturação e no início de 2016 começou adquirindo 20 unidades do modelo Apache Vip III da encarroçadora Induscar Caio, todos semi-novos oriundos da Rodoviária A. Matias, também do Consórcio Internorte.  Inicialmente esses veículos entraram em operação na linha 634 Bananal x Saens Peña.

Ainda na reestruturação, um novo lote foi adquirido. Agora com 16 unidades de Apache Vip II e III e outras 6 unidades do modelo Ideale da encarroçadora Marcopolo para renovar a frota e reduzir intervalos das linhas:
323 Bananal x Castelo (Via Linha Vermelha)
2342 Bananal x Castelo (Via Linha Vermelha)
Foto: Reprodução da Internet

Esse lote de seminovos foi comprado das empresas Rodoviária Âncora Matias, Viação Verdun, Transurb e Auto Viação Jabour.

Foto: Reprodução da Internet


Atualmente a Transportes Paranapuan vem investindo em reestruturação, e aos poucos está substituindo a frota antiga por veículos novos e seminovos almejando a prestação dos serviços e atendimento aos seus clientes. a empresa também criou perfis em rede sociais como o Facebook e Twitter, facilitando assim a melhor comunicação e o atendimento à população.

Foto: Reprodução da Internet

Linhas atualmente em operação pela Transportes Paranapuan S/A

322 – Ribeira x Candelária (Via Cocotá)
323 – Bananal x Castelo (Via Cacuia)
327 – Ribeira x Castelo (Via Linha Vermelha)
328 – Bananal x Candelária
634 – Bananal x Saens Peña
635 – Bananal x Saens Peña (Via Linha Vermelha/Cidade Universitária)
901 – Bonsucesso x Bananal (Via Jardim Guanabara)
910 – Vaz Lobo x Bananal
912 – Vaz Lobo x Campeões 

913 – Del Castilho x Fundão (Via Cidade Universitária)
914 – Vigário Geral x Bananal
915 – Bonsucesso x Aeroporto Internacional do RJ
922 – Tubiacanga x Aeroporto Internacional do RJ 
924 – Aeroporto Internacional do RJ x Bananal
934 – Ribeira x Portuguesa (Via Cocotá)
2342 – Candelária x Bananal (BRS 4)
SP322 Portuguesa x Castelo
SV322 Ribeira x Castelo (Via Cidade Universitária)
SV328 Bananal x Castelo (Via Cidade Universitária)
SV901 Bonsucesso x Bananal (Via Cacuia)
A empresa opera no Consórcio BRT com o prefixo E10000B.

Fontes: Riônibus Antigo, Ilha do Goverrnador na Foto, Cia de Ônibus, Trilhos do Rio, Jornal O Dia, Ilha Notícias, Portal Notícias de Ônibus, Secretaria Municipal de Transportes e Diário dos Transportes